terça-feira, 22 de novembro de 2011

Bright Star





"Março 1820 

(Itália)



Adorável Fanny,
Você teme, algumas vezes, que eu não a ame tanto quanto você  deseja? minha querida garota, eu a amo sempre e sem reserva. Quanto mais eu a conheci mais eu a amei. De toda forma — mesmo  meus ciúmes tem sido agonias do Amor, no mais forte acesso que  eu jamais tive eu teria morrido por você. Eu a tenho irritado muito, mas por Amor! Que posso fazer? Você está sempre nova  para mim. O último de seus beijos foi sempre o mais doce, o último sorriso o mais brilhante, o último movimento o mais  gracioso. Quando você passou na janela de minha casa ontem eu me enchi de tanta admiração como se eu a tivesse visto pela primeira vez.
Você proferiu uma queixa, uma vez, que somente amei sua  Beleza. Não tenho mais nada a amar em você que isto? Não vejo  um coração naturalmente provido de asas emprisionado comigo? Nenhuma expectativa de doença foi capaz de mover meus  pensamentos em você para longe de mim. Isto talvez seja tanto um assunto de tristeza como alegria — mas eu não falarei sobre isso. Mesmo se você não me amasse eu não poderia evitar uma completa devoção a você: imagine quanto mais profundo deve ser meu amor, sabendo que você me ama. Minha mente tem sido a mais descontente e impaciente que alguém jamais colocou num corpo, que é muito pequeno para ela. Eu nunca senti minha mente repousar sobre nada com felicidade completa e sem distração, da maneira que repousa em você.
Quando você esta no quarto meus pensamentos nunca voam para fora da janela: você sempre concentra todos os meus sentidos inteiramente. A ansiedade mostrada acerca de nosso Amor em sua última carta é um imenso prazer para mim; entretanto você não deve sofrer tais especulações que a molestem: nem posso eu acreditar que você tenha o menor ressentimento contra mim. Brown partiu — mas aqui está Mrs. Wylie. Quando ela se for eu estarei acordado para você.
Lembranças à sua mãe 

Seu apaixonado
J Keats"


Ninna... minha mente é uma das mais descontentes e inquietas que alguém já colocou num corpo muito pequeno para ela...

...aqui, sempre a poesia... num John Keats imenso dum amor recortado.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Saying goodbye to Daisy Miller

"Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minha alma daquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história

Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar..."

( O Teatro Mágico) daquele palhaço que tu me ensinastes a amar.


E eu nem pensei que tua ausência ferisse tanto...
Lembra de quando éramos crianças? Lembra das vezes que o mundo se tornava mais importante que as coisas ao redor... mais importante que as quatro paredes, que as fórmulas no quadro, que as discussões, que as paráfrases?
Lembra das vezes que andamos distâncias épicas, rumo àquele canto, a contramão... e tudo parecia tão perto? Tudo parecia tão perto porque se somavam à nos a palavra. Palavra. Lembra, poeta? Palavra. parvra... tua, minha... nossa. O que nos uniu alí, e uniu depois. Esse amor infindado e visceral pelo que podemos dizer... pelo o que dizíamos.
Lembra da distância... aquele tempo que nos findou... e  findou a si mesmo? Lembra da distância, poeta... aquela que percorríamos diariamente pra nos ver um ao outro? Lembra das vezes que nos bastava nós mesmos, e apesar do que nos era intangível, éramos felizes. Lembra?


E sim, tua ausência faz silêncio... e a falta da palavra se solidifica... parvra... paira... ausência, uma quase saudade, um quase hiato. E sim, como prometido, eis aqui o teu canto... teu túmulo, tua presença, tua ausência. E essência... porque tudo aqui é teu. Eis, poeta, o teu atestado... Lembra?









Ninna...
"E o fim é belo incerto... Depende de como você vê..."


Sim, é pra você. O único que vai entender este post.